Porto Belo Vendeu Mais Imóveis Novos que Balneário Camboriú no Primeiro Semestre — e Mais da Metade Foi Apartamento de Um Dormitório
Um levantamento de mercado divulgado em julho colocou Porto Belo — cidade de 31 mil habitantes — na primeira posição em vendas de imóveis novos no primeiro semestre de 2026, à frente de Curitiba, Itajaí, Itapema e Balneário Camboriú. Abaixo estão os números, de onde cada um vem, e também o lado deles que costuma ficar de fora das matérias sobre a região.
Uma cidade de 31 mil habitantes na frente de Balneário Camboriú
Segundo levantamento da plataforma DWV Inteligência de Mercado, divulgado em julho de 2026, Porto Belo movimentou R$ 2,5 bilhões em vendas de imóveis novos e lançamentos no primeiro semestre de 2026, com 2.850 unidades comercializadas.
Nesse recorte, a cidade ficou à frente de Curitiba, Itajaí, Itapema e Balneário Camboriú.
Porto Belo tem pouco mais de 31 mil habitantes e cresceu mais de 72% em população ao longo da última década, segundo a mesma publicação. É um município pequeno ocupando a primeira posição de uma lista que inclui a capital do Paraná.
O dado mais interessante não é o total. É o que foi vendido.
Das 2.850 unidades vendidas no semestre, 1.541 eram apartamentos de um dormitório — cerca de 54% de tudo que foi comercializado.
Mais da metade do mercado de uma das cidades mais aquecidas do litoral catarinense é apartamento compacto.
Isso aparece também no ticket médio. Em Porto Belo, o valor médio por negócio no semestre foi de R$ 875,7 mil. Nas cidades vizinhas, no mesmo levantamento: Itapema, R$ 1,29 milhão; Itajaí, R$ 1,63 milhão; Balneário Camboriú, R$ 4,32 milhões.
Porto Belo não lidera vendendo o imóvel mais caro. Lidera vendendo o imóvel que mais gente consegue comprar.
O outro lado do número: tem bastante coisa à venda
Um levantamento honesto mostra os dois lados, e o mesmo estudo mostra o segundo.
O estoque de imóveis novos e em lançamento em Porto Belo era de 15.017 unidades, avaliado em R$ 17,6 bilhões. A velocidade de vendas sobre a oferta — o indicador que o mercado chama de VSO — ficou em 16% no semestre.
Traduzindo: vendeu-se bem, mas há bastante produto disponível. Um VSO de 16% em seis meses não descreve um mercado onde tudo some da prateleira. Descreve um mercado com volume real de negócios e, ao mesmo tempo, com oferta suficiente para o comprador comparar antes de decidir.
Para quem compra, isso é informação útil, não má notícia. Oferta ampla é o que dá poder de escolha.
E o preço? Parou de subir mais rápido que a inflação.
Aqui entra um segundo conjunto de dados, de outra origem e outra metodologia.
De acordo com o Índice FipeZap de venda residencial referente a agosto de 2026, o preço médio do metro quadrado nas 56 cidades acompanhadas foi de R$ 9.954, com alta de 0,53% no mês, 3,44% no acumulado do ano e 5,49% em 12 meses. No acumulado do ano, a inflação medida pelo IPCA foi de 3,02% — ou seja, no ano o índice de preços de imóveis subiu um pouco acima da inflação.
Nas cidades da região acompanhadas pelo índice:
- Itapema: R$ 15.403/m² — variação de -0,002% no mês, +3,66% no ano e +4,85% em 12 meses
- Balneário Camboriú: R$ 15.343/m² — +0,31% no mês, +2,35% no ano, +2,82% em 12 meses
- Florianópolis: R$ 13.531/m² — +0,52% no mês, +6,05% no ano e +8,20% em 12 meses
- Itajaí: R$ 13.354/m² — +0,40% no mês, +3,20% no ano, +4,92% em 12 meses
Entre as 56 cidades acompanhadas pelo índice, Itapema tem hoje o segundo metro quadrado mais caro, atrás apenas de Vitória, no Espírito Santo, com R$ 15.650/m². Balneário Camboriú vem em terceiro. Vale a ressalva: o índice não cobre todas as cidades do país — é um ranking das 56 que ele acompanha.
Mas repare no que os números de 12 meses dizem: Itapema subiu 4,85% e Balneário Camboriú subiu 2,82%, enquanto o índice nacional subiu 5,49%. As duas cidades mais caras da região valorizaram menos que a média do país no período — enquanto Florianópolis, na mesma janela, subiu acima dela.
O litoral norte catarinense continua caríssimo. Ele só parou de ficar caro mais rápido que o resto do Brasil.
Cuidado ao juntar esses dois números
Este é o ponto que a maioria das matérias sobre a região ignora, e que vale mais que qualquer um dos dados acima.
O levantamento da DWV informa um preço de R$ 14.712 por metro quadrado para as unidades vendidas em Porto Belo no semestre. O Índice FipeZap informa R$ 15.403 por metro quadrado em Itapema em agosto.
Esses dois números não são comparáveis. Um mede o que foi efetivamente vendido em imóveis novos e lançamentos num semestre. O outro é um índice de preços de anúncio, com metodologia própria, medido mês a mês. E o FipeZap acompanha 56 cidades — Porto Belo não está entre elas.
Colocar os dois lado a lado e concluir que "Porto Belo é 4% mais barata que Itapema" seria uma conta errada, feita com dois números certos.
Quando você ler qualquer matéria sobre o mercado do litoral norte, verifique sempre três coisas: qual estudo originou o número, de que período ele trata, e o que exatamente foi medido.
O que esses dados sugerem para quem está pensando em comprar
Nenhum dos pontos abaixo é recomendação de investimento, e nenhum número acima é previsão. São registros do que já aconteceu, publicados por seus responsáveis.
O produto compacto concentrou o volume. Mais da metade das vendas de Porto Belo no semestre foi apartamento de um dormitório. Isso diz onde estava a liquidez do período — quem vendeu, vendeu esse produto.
O preço não está mais fazendo o trabalho sozinho. Com valorização de 12 meses abaixo da média nacional nas duas cidades mais caras da região, a diferença entre um bom e um mau negócio deixa de ser o momento de entrada e passa a ser o que se comprou, onde, e por quanto.
Com estoque grande, comparar é barato. Quinze mil unidades disponíveis significa que dá tempo de visitar, conferir prazo, olhar quem entrega e negociar. Pressa, nesse cenário, é escolha — não necessidade.
A Acácio nesse cenário
A Acácio Construtora e Incorporadora responde pela gestão executiva, comercial e de incorporação de cinco empreendimentos em Porto Belo, todos no Balneário Perequê, em fases diferentes — do entregue ao que tem entrega prevista para 2029. E o produto principal do portfólio é exatamente o compacto voltado ao investidor.
Não citamos esses dados porque eles nos favorecem. Citamos porque eles são públicos, têm origem declarada e podem ser conferidos por qualquer pessoa — inclusive a parte que mostra estoque alto e valorização desacelerando.
É assim que preferimos conversar com quem chega até aqui.
De onde vem cada número deste artigo
Os dados de vendas, unidades, ticket médio, estoque, VSO e preço por metro quadrado em Porto Belo vêm do levantamento da DWV Inteligência de Mercado sobre o primeiro semestre de 2026, divulgado em julho de 2026 e publicado por ND Mais (29/07/2026) e Portas (30/07/2026).
Os preços por metro quadrado e as variações de Itapema, Balneário Camboriú, Florianópolis, Itajaí e Vitória, o índice nacional e o IPCA vêm do informe do Índice FipeZap de venda residencial de agosto de 2026, publicado pela Fipe.
Todos os números foram conferidos nas publicações originais antes desta publicação.
Perguntas frequentes
Porto Belo vendeu mais que Balneário Camboriú em 2026?
No primeiro semestre de 2026, sim, em vendas de imóveis novos e lançamentos. Segundo levantamento da plataforma DWV Inteligência de Mercado divulgado em julho de 2026, Porto Belo registrou R$ 2,5 bilhões e 2.850 unidades comercializadas, ficando à frente de Curitiba, Itajaí, Itapema e Balneário Camboriú nesse recorte. O recorte é de imóveis novos e lançamentos, não do mercado total.
Quanto custa o metro quadrado em Porto Belo?
O Índice FipeZap não acompanha Porto Belo — ele cobre 56 cidades, e a cidade não está entre elas. O levantamento da DWV informa R$ 14.712 por metro quadrado para as unidades novas vendidas no primeiro semestre de 2026. É uma medida de vendas realizadas, com metodologia própria, e não deve ser comparada diretamente com índices de preço de anúncio.
Por que apartamentos de um dormitório dominaram as vendas?
Os dados mostram que dominaram — 1.541 das 2.850 unidades vendidas no semestre — mas o levantamento citado não atribui uma causa única. Valor de entrada menor, público comprador mais amplo na revenda e uso voltado à locação de temporada costumam ser apontados como fatores, e o peso de cada um varia de cidade para cidade.
O mercado do litoral norte de SC está desvalorizando?
Não é isso que os dados mostram. Segundo o Índice FipeZap de agosto de 2026, Itapema subiu 4,85% e Balneário Camboriú subiu 2,82% em 12 meses. As duas subiram — só subiram menos que o índice nacional, que avançou 5,49% no mesmo período. É desaceleração da valorização, não queda de preço.
O que é VSO e por que 16% importa?
VSO é a velocidade de vendas sobre a oferta: quanto do estoque disponível foi vendido em determinado período. Em Porto Belo, foi de 16% no primeiro semestre de 2026, com um estoque de 15.017 unidades. Na prática, indica um mercado com negócios acontecendo e, ao mesmo tempo, com oferta ampla — o que dá ao comprador tempo para comparar.
Esses números garantem que meu imóvel vai valorizar?
Não. Todos os dados citados são registros do que já aconteceu, publicados por institutos, índices e plataformas de mercado. Desempenho passado não garante resultado futuro, e nenhuma construtora ou incorporadora pode assegurar valorização.
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